Guia inicial

Qual crédito faz sentido para o seu caso

Existem quatro modalidades que resolvem problemas diferentes, e a distância de custo entre elas é maior do que qualquer negociação de taxa. Este guia leva uns dez minutos e serve para você chegar na mesa sabendo qual pergunta fazer.

Comece pelo seu caso

Encontre a situação mais parecida com a sua. Cada uma leva à simulação e ao artigo que explica os detalhes.

Financiamento

Quero comprar um imóvel

Crédito imobiliário

O dinheiro é amarrado à compra e o próprio imóvel vira a garantia. Prazo de até 420 meses, isento de IOF, mas com ITBI e registro fora do financiamento.

Atenção: O indexador — TR ou IPCA — muda o custo total em centenas de milhares de reais.

Empréstimo

Preciso de dinheiro e tenho um imóvel quitado

Home equity

Você usa um imóvel que já é seu como garantia e o dinheiro é livre. A taxa cai de ~7% para ~1,2% ao mês, mas o imóvel passa a responder pela dívida.

Atenção: Em valores baixos, cartório e avaliação comem a vantagem da taxa.

Empréstimo

Preciso de dinheiro e não tenho garantia

Crédito pessoal

Sem garantia, o risco é todo do banco — e o preço reflete isso. É a modalidade mais cara, mas também a mais rápida e a única disponível para muita gente.

Atenção: Só compensa em valor baixo e prazo curto. Encurtar o prazo economiza mais que negociar a taxa.

Empresa

Preciso de capital para a minha empresa

Pronampe ou home equity

O Pronampe é crédito subsidiado para micro e pequena empresa: Selic + 6% a.a., sem tarifa, mas com teto de 50% do faturamento. O home equity não tem teto de porte.

Atenção: A carência de 24 meses capitaliza juros e pode inverter a conta: taxa menor, custo total maior.

Empréstimo

Quero trocar uma dívida cara por uma barata

Home equity ou portabilidade

É o uso mais defensável do home equity: trocar rotativo, cheque especial ou crédito pessoal por uma dívida com garantia. Aritmética, não aposta.

Atenção: Compare o CET da dívida nova com o da dívida atual, nunca as taxas nominais.

A garantia é o que define o preço

Não é o banco, não é o seu relacionamento com ele, não é a sua habilidade de negociar. É o que acontece se você não pagar. Compare o custo efetivo total de cada modalidade:

Crédito imobiliário11,70% a.a. + TR · R$ 480 mil em 360 meses
14,5% a.a.

Garantia é o imóvel comprado. Isento de IOF.

PronampeSelic + 6% a.a. · R$ 300 mil em 96 meses, com 24 de carência
21,5% a.a.

Só para micro e pequena empresa, com teto de 50% do faturamento. Taxa pós-fixada: sobe junto com a Selic.

Home equity1,15% a.m. + IPCA · R$ 300 mil em 120 meses
21,9% a.a.

Em ticket pequeno o CET sobe muito: R$ 80 mil em 48 meses dá 25,3% a.a.

Crédito pessoal7,08% a.m. · R$ 80 mil em 48 meses
135,2% a.a.

Sem garantia. Média do sistema segundo o Banco Central.

As barras não são intercambiáveis. O crédito imobiliário só existe para comprar um imóvel; o Pronampe só existe para micro e pequena empresa, com teto de 50% do faturamento. A comparação serve para mostrar o preço do risco, não para sugerir que você escolha entre os quatro livremente.

O que ela mostra é isto: um crédito pessoal custa cerca de nove vezes o CET de um financiamento imobiliário e seis vezes o de um home equity ou de um Pronampe. Nenhuma negociação de taxa dentro da mesma modalidade compensa mudar de modalidade.

Repare também que Pronampe e home equity praticamente empatam em taxa. A decisão entre os dois não se resolve olhando o CET: depende do teto, do prazo, da carência e de qual patrimônio você está disposto a expor. É o queeste artigo destrincha.

As três perguntas que revelam o custo real

Se você só puder fazer três perguntas ao gerente, sejam estas.

01

Qual é o CET, não a taxa?

O Custo Efetivo Total embute juros, tributos, tarifas e seguros. É o único número que permite comparar duas propostas. A taxa nominal, sozinha, não diz quase nada: no financiamento imobiliário, a distância entre as duas passa de dois pontos percentuais ao ano.

Ver a metodologia do cálculo →
02

Qual é o indexador?

Prefixado, TR ou IPCA. Em contrato indexado o saldo devedor é corrigido antes de os juros incidirem, e o risco de a inflação subir é seu, não do banco. Duas propostas com a mesma taxa e indexadores diferentes são produtos diferentes.

Entender o efeito do IPCA →
03

É SAC ou PRICE?

No SAC a amortização é constante e a parcela cai; no PRICE a parcela é fixa e você paga mais juros no total. Mesma taxa e mesmo prazo, custo diferente. E atenção: PRICE indexado não tem parcela fixa — ela cresce com o índice.

Simular os dois sistemas →

Empréstimo e financiamento não são a mesma coisa

A confusão entre os dois é a origem de boa parte das decisões ruins de crédito.

Empréstimo

Dinheiro livre

Você recebe o valor e decide o uso. Inclui crédito pessoal (sem garantia) e home equity (com um imóvel que já é seu como garantia).

  • O dinheiro cai na sua conta
  • Você escolhe o destino
  • Prazo de 12 a 240 meses
  • Incide IOF
Financiamento

Dinheiro amarrado a um bem

O valor vai direto para o vendedor e o bem comprado vira a garantia. É o caso do crédito imobiliário.

  • O dinheiro vai para o vendedor
  • O destino é definido no contrato
  • Prazo de até 420 meses
  • Isento de IOF quando residencial e PF

Cinco erros que custam caro

Todos comuns, todos evitáveis, todos com preço em reais.

01
Comparar taxa em vez de CET

Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter custos muito diferentes. TAC, seguro, IOF e tarifas só aparecem no CET — que é obrigatório por regulação.

02
Ignorar o "+ IPCA"

Uma taxa de 1,15% a.m. + IPCA de 4,44% custa 1,52% a.m. de verdade — 32% acima do anunciado. E o risco de a inflação subir é inteiramente do tomador.

03
Não provisionar ITBI e registro

Numa compra de R$ 600 mil, são R$ 24 mil além da entrada. Não entram no financiamento nem no CET, mas saem do bolso à vista, antes da primeira parcela.

04
Contratar home equity em ticket baixo

Cartório e avaliação são custos majoritariamente fixos. Em R$ 50 mil, eles empurram o CET para mais de 2% ao mês e a vantagem sobre o crédito pessoal encolhe.

05
Dar o imóvel em garantia para consumo

Você coloca a sua moradia como garantia de algo que não produz fluxo de caixa para pagá-la. Home equity faz sentido para trocar dívida cara ou gerar retorno — não para gastar.

Checklist antes de assinar

Leve para a agência. Se você não conseguir marcar todos, ainda não é hora de assinar.

  • Pedi o CET por escrito, e não apenas a taxa de juros.
  • Sei qual é o indexador — prefixado, TR ou IPCA — e a defasagem com que ele é aplicado.
  • Sei se o contrato é SAC ou PRICE e simulei os dois.
  • Conferi todas as tarifas: abertura de crédito, avaliação, cartório e registro.
  • Verifiquei quais seguros são obrigatórios e quais são opcionais — e que posso escolher a seguradora.
  • Somei o desembolso à vista: entrada, ITBI, registro e avaliação.
  • Simulei o contrato com a inflação acima do projetado, para saber o meu pior cenário.
  • Confirmei as regras de amortização antecipada e se há cobrança para quitar antes.
  • Comparei a proposta com pelo menos duas outras instituições.
  • A parcela cabe no meu orçamento com folga, não no limite.

Glossário mínimo

Os termos que aparecem em qualquer contrato de crédito no Brasil.

Alienação fiduciária
A garantia usada em home equity e financiamento imobiliário. A propriedade do imóvel fica com o credor até a quitação. Regida pela Lei 9.514/1997 — o inadimplemento pode levar à perda do bem.
Amortização
A parte da parcela que efetivamente abate a dívida. O resto é juros, tributos e encargos.
CET
Custo Efetivo Total. Reúne juros, tributos, tarifas e seguros numa taxa única. É o número que permite comparar propostas.
DFI
Seguro de Danos Físicos ao Imóvel. Obrigatório no financiamento, incide sobre o valor de avaliação do imóvel e não diminui ao longo do contrato.
IOF
Imposto sobre Operações Financeiras: 0,38% mais 0,0082% ao dia, limitado a 365 dias. Financiamento habitacional residencial de pessoa física é isento.
LTV
Loan to Value — quanto do valor do imóvel está comprometido com a dívida. Home equity costuma ir até 60%; financiamento, até 80%.
MIP
Seguro de Morte e Invalidez Permanente. Obrigatório no financiamento, incide sobre o saldo devedor e diminui junto com a dívida.
PRICE
Sistema de amortização de parcela fixa. Paga mais juros no total que o SAC. Em contrato indexado, a parcela deixa de ser fixa.
SAC
Sistema de Amortização Constante. A parcela começa mais alta e cai; paga menos juros no total.
TR
Taxa Referencial, indexador padrão do SBPE. Acumulou 2,02% em 12 meses — bem menos que o IPCA.

Todos os números deste guia são calculados pelo mesmo motor da calculadora, com parâmetros de mercado verificados em 13 de agosto de 2026. Quando uma taxa muda, esta página muda junto.

Agora rode o seu caso

A calculadora de empréstimo cobre crédito pessoal, home equity e Pronampe. Para comprar um imóvel, o comparador roda os cinco bancos lado a lado. Nas duas: SAC, PRICE, correção por IPCA ou TR e CET estimado pela taxa interna de retorno.

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