Análise

SAC ou PRICE: a parcela menor custa R$ 351 mil

O Destrave não origina crédito, não indica instituição e não recebe por contratação. Quando a conta mostra que não vale a pena, é isso que está escrito aqui.Nossa política editorial.

SAC ou PRICE, qual escolher?

SAC, na maioria dos casos. No mesmo contrato de R$ 300 mil em 240 meses a 1,15% ao mês mais IPCA, a primeira parcela da PRICE é R$ 1.016 menor — e o total pago é R$ 351 mil maior. Com indexador, a parcela da PRICE ainda cresce de R$ 3.700 para R$ 8.428 ao longo do prazo.

A escolha entre SAC e PRICE costuma ser apresentada no balcão como preferência pessoal: “quer começar pagando menos ou pagando mais?”. Colocada assim, a resposta parece óbvia e a conversa acaba em trinta segundos.

Ela não é preferência. É a decisão que mais mexe no custo total de um contrato longo, e a diferença entre as duas cresce exatamente na situação em que quase todo home equity e todo financiamento imobiliário brasileiro operam: prazo longo e saldo devedor indexado.

Qual a diferença entre SAC e PRICE?

Nos dois sistemas você paga, em cada parcela, amortização (o pedaço que reduz a dívida) mais juros (calculados sobre o saldo devedor que ainda existe).

No SAC, a amortização é constante. Divide-se o valor tomado pelo número de meses e pronto: o mesmo pedaço da dívida morre todo mês. Como o saldo devedor cai em linha reta, os juros caem junto — e a parcela é decrescente.

Na PRICE, a parcela é que é constante (em contrato prefixado). Para que o total não varie, a composição se inverte ao longo do tempo: no começo quase tudo é juro e quase nada é amortização; no fim, o contrário. É por isso que, na metade de um contrato PRICE longo, o saldo devedor costuma estar bem acima da metade.

Essa é a frase que resume tudo: na PRICE você carrega mais dívida por mais tempo. Juros incidem sobre saldo devedor. Saldo maior por mais tempo é mais juro pago, necessariamente.

SAC ou PRICE: qual é mais barato na prática?

O SAC, com folga. No mesmo contrato, ele leva a R$ 1,03 milhão pagos contra R$ 1,38 milhão da PRICE — e a PRICE só ganha na primeira parcela.

R$ 300.000, 240 meses, juros reais de 1,15% ao mês, indexado ao IPCA de 4,22% ao ano — o mesmo parâmetro que alimenta a calculadora deste site, verificado em setembro de 2026.

Resultado SAC PRICE
Primeira parcela R$ 4.716 R$ 3.700
Última parcela R$ 2.890 R$ 8.428
Total pago R$ 1.027.199 R$ 1.378.629
Custo do crédito R$ 737.109 R$ 1.088.706
CET 20,39% a.a. 20,24% a.a.

Cenário: R$ 300.000 · 240 meses · juros reais de 1,15% a.m. + IPCA de 4,22% a.a. Parâmetros verificados em setembro de 2026.

Três leituras importam aqui, e nenhuma delas é “PRICE é ruim”.

A primeira parcela separa as duas por R$ 1.016. É a vantagem inteira da PRICE, e ela é real: para quem está no limite do orçamento no momento da contratação, mil reais por mês decidem se a operação acontece ou não.

O total pago separa as duas por R$ 351.430. É o preço daquele alívio inicial, pago ao longo de vinte anos.

A PRICE tem o CET menor. Não é erro de cálculo. É a demonstração mais limpa de que CET não é ranking de custo.

Por que a PRICE tem CET menor se custa mais?

O CET é uma taxa: mede o custo por unidade de saldo devedor e por unidade de tempo. É a ferramenta certa para comparar duas propostas do mesmo valor, mesmo prazo e mesmo sistema de amortização — e é exatamente por isso que este site insiste nele ao comparar instituições.

Ele não serve para comparar dois perfis de pagamento diferentes. Na PRICE, os custos fixos da operação (IOF, cartório, avaliação) se diluem num total pago muito maior, e o saldo devedor médio é mais alto. A taxa sai parecida ou até menor; o cheque é muito maior.

É o mesmo fenômeno que aparece, por outro caminho, na comparação entre Pronampe e home equity: lá, a linha subsidiada tem CET menor e custo total R$ 165 mil maior, por causa da carência. Sempre que o formato do fluxo muda, o CET perde poder de comparação.

A regra prática

CET compara propostas. Total pago compara decisões. Ao escolher entre bancos, olhe o CET. Ao escolher entre sistemas de amortização, entre prazos ou entre carências, olhe o total pago — o CET vai apontar para o lado errado.

O indexador muda a escolha entre SAC e PRICE?

Muda, e muito: a diferença entre os dois sistemas mais que dobra quando o contrato é indexado, porque a PRICE mantém o saldo devedor alto por muito mais tempo para a correção incidir.

Rode o mesmo contrato sem indexador, com 1,15% ao mês prefixado:

Contrato SAC PRICE Diferença
Contrato prefixado R$ 715.725 R$ 884.896 R$ 169.171
Contrato indexado ao IPCA R$ 1.027.199 R$ 1.378.629 R$ 351.430

Mesmo cenário da tabela acima — R$ 300.000 em 240 meses a 1,15% a.m. — com e sem indexador.

A diferença entre os sistemas mais que dobra quando entra o indexador. A razão é direta: a correção monetária incide sobre o saldo devedor, e a PRICE mantém o saldo devedor alto por muito mais tempo. Quem escolhe PRICE num contrato indexado não está só pagando mais juros — está oferecendo uma base maior para a inflação corrigir, mês após mês.

E some a isso o que acontece com a parcela. Num contrato PRICE indexado, ela não é fixa: é recalculada sobre um saldo corrigido e cresce todo mês. No cenário acima, sai de R$ 3.700 e termina em R$ 8.428. A parcela que cabia no orçamento na assinatura é 2,3 vezes maior no fim — e o orçamento precisa ter crescido junto.

O SAC faz o oposto: começa em R$ 4.716 e termina em R$ 2.890, porque a queda da amortização nominal vence a correção. É um contrato que fica mais leve com o tempo em vez de mais pesado.

Quando a PRICE é a escolha certa?

Existem três situações em que ela ganha, e vale nomeá-las com honestidade:

O limite é de caixa hoje, e a renda tende a crescer. Se a diferença de R$ 1.016 na primeira parcela é a diferença entre contratar e não contratar, a PRICE viabiliza a operação. Só é preciso estar consciente de que, num contrato indexado, a parcela não vai esperar a renda.

Há intenção real de amortizar antecipadamente. Se o plano é usar 13º, bônus ou FGTS para abater o saldo, boa parte da desvantagem da PRICE some — porque a amortização extra ataca justamente o saldo alto que ela carrega. “Intenção real” é a parte difícil: quase todo mundo diz que vai, poucos vão.

O prazo é curto. No comparador de financiamento imobiliário dá para ver os dois sistemas lado a lado em cada banco. Em 24 ou 36 meses a diferença entre os dois sistemas é pequena o bastante para ser desempate. É no prazo longo que ela vira o item mais caro do contrato.

Fora desses casos, a pergunta do balcão — “quer começar pagando menos?” — tem um preço que ninguém diz em voz alta, e neste cenário ele é de R$ 351 mil.

Perguntas frequentes

SAC ou PRICE: qual é mais barato?
O SAC. Num contrato de R$ 300 mil por 240 meses a 1,15% ao mês mais IPCA, o SAC leva a R$ 1,03 milhão pagos e a PRICE a R$ 1,38 milhão — R$ 351 mil de diferença. A PRICE começa com parcela menor, e é só isso que ela oferece.
Por que a PRICE tem CET menor se custa mais?
Porque o CET é uma taxa, não um valor. Ele mede o custo por unidade de tempo e de saldo devedor. Na PRICE você amortiza mais devagar, então carrega mais saldo por mais tempo: a taxa fica parecida e o valor pago dispara. CET só compara propostas de mesmo prazo e mesmo sistema.
A parcela da PRICE é fixa?
Só em contrato prefixado. Com indexador, a parcela da PRICE é recalculada sobre um saldo devedor corrigido e cresce todo mês. No cenário deste artigo ela sai de R$ 3.700 e termina em R$ 8.428 — mais que o dobro.
Quando a PRICE faz sentido?
Quando o limite é de caixa no início e a renda tende a crescer, ou quando existe intenção real de amortizar antecipadamente. Fora disso, a parcela inicial menor é a única vantagem — e ela é paga com juros até o fim do contrato.

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Equipe Destrave

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